sábado, 14 de maio de 2011

Fim da via

Naquela via férrea giram rodas todos os dias,

Do tic tac de distintos destinos 

Acompanham a via aquática de águas esgotáveis

Em curso contrário ao das rodovias

Onde circulam carros incontáveis.

Assim Via-Láctea via telescópio

Olhar fixo nas aéreas vias

Que sobrevoam vias tortuosas

Onde cai a chuva e corre galerias.

Tubulosos espaços de vias sinuosas

Por caminhos pluviais

Até rumos fluviais

Por rateios cruciais.

Todavia, percorre a viatura

No viaduto de sirenes ensurdecedoras

Víboras às vias arteriais

Palpita o coração de vias congestionadas

Ataque de veias atoladas

Da via na qual circula a vida

Sem viço, falece o último suspiro.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Nota do tempo de uma bigorna

          A responsabilidade roubou tantas coisas da adorável infância, deixou para trás as manhãs recreativas na escola, as tardes felizes na rua e as noites de engraçadas brincadeiras. Agora, ela sufoca os órgãos interiores com tanto aperto que a qualquer momento uma hemorrágica rebeldia nasce dentro do corpo humano. Esse peso mais parece uma manada de passos largos que pretendem pisotear a vida em potencial força e longevidade. Para sentir a leveza de uma pluma levada pelo vento, ignore as vontades compulsivas, abrace um travesseiro fofo, cante que “o amor é um campo de batalha”, porque nem todos querem levar bigornas pelo resto da vida. Existe vida após um virar de página, lá existe vida. Que um desafio considerável seja alcançar o peso pena.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Prudente silêncio

Vozes ao vento

dos ouvidos dispostos

para as línguas inquietas

de interpretações perigosas 

e atravessadas metas.

Para a sensatez, a indiferença.

Para a saúde, um incômodo.

Para a incerteza, uma crença.

Para toda verdade, o bom senso.

Entoe pensamento e não vozes ao vento

Enquanto avistar nuvens nebulosas, cala-te.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Alma cravada

Desde quando ela era uma criança, ouvia falar deles. Os que aparecem na noite e estão nos cemitérios esperando por alguém. Às vezes ela se cobria com um lençol branco para imitá-los e provocar espanto, achava engraçado. Depois de um tempo, descobriu que eles não existiam... Decepção? Era indiferente, eles só vinham para prejudicar a paz alheia. Ela acreditava que seus pais inventaram isso para explicar os medos e aflições que sentiam pelas pessoas vivas e mal-intencionadas. A garota considerou o questionamento um tanto complicado e não quis mais saber desses seres. Mas alguma coisa do passado voltou a assombrá-la. Ela não sabia que era tão forte a ponto de fazê-la, talvez, abandonar tudo o que tinha conquistado até então. A partir daí, descobriu o que realmente era assustador... Aquela alma cravou sentimentos em seu coração. Sentimentos que voltaram à tona para sua vida e arremessaram-na para um lugar denso e intenso. Algo ainda mais complexo que a existência dos big boos.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Nota do tempo de uma canção

♫ “Acordei e abri a janela
Sol nascendo uma coisa tão bela”♪

A música nasce com o dia. Os passarinhos comemoram o nascimento de cada um deles, dias úteis e de descanso, estão sempre a cantar. Muitos motivos para celebrar. A vida, não tão perfeita como deveria ser. A saúde, não tão plena como se deseja... Mas enquanto houver dia para agradecer, as tristezas de outrora semearão terras encharcadas de lágrimas que renderão frutos de tudo aquilo que um dia planejou-se colher. Fazer da vida um canção é ser como os pássaros, que voam, que colhem, que se reproduzem e alimentam suas crias. Que cantam ao nascer e ao morrer de mais um dia, que constroem o próprio ninho e confiam de que o lar vai estar intacto no regresso, na certeza de um aconchego para o esperado e merecido descanso. Sonhos de passarinhos, quais serão? Não devem ser muitos, pois o sonho mais belo eles já realizam, a arte de bater as asas e levantar voo.

♪ “Ao abrir suas asas ao vento ele voou
Parecia em seu voo querer encontrar 
Com o seu Criador”
♫

terça-feira, 22 de março de 2011

Embriagados de amor


O meu 
amado 
acordou 
preocupado, 
espantou-se 
com o sentimento 
que tomou o seu coração. 
Nossos pensamentos se 
encontraram na fonte da 
nossa inexplicável afeição. 
Nos reconhecemos tão 
apaixonados das 
incontáveis 
taças do vinho 
mais concentrado, 
sublime safra do amor.
Somos bêbados culpados,
da tontura do nosso beijo,
da alegria do nosso carinho,
da igualdade do nosso desejo,
da preferência por esse vinho.
Cambaleamos desenhando 
traços da linda sensação de 
acertados passos.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Não desejo isso, deleto

Há oito anos realizei o cadastro dele. Foi o primeiro que tive. Permitia o contato particular/pessoal com alguns dos amigos e desconhecidos também. Era a atração do momento, mas nem todos estavam acostumados com aquele tipo de comunicação. Demorou um pouco para se criar o hábito de consultar aquela caixa de mensagens. O problema não é esse, digo, um dos problemas. Sabe, percebi nesses oito anos de convivência com essa caixa, que muitas mensagens dão a volta no mundo e depois de alguns meses ou até mesmo anos, lá estão elas de novo, na minha caixa de entrada. As terríveis correntes disseminadoras de vírus e discórdia entre os emissores e receptores. Triste. Como os seres humanos perdem um tempo desses? Enfim, cada um faz com as suas 24hs diárias o que quiser, mas corrente no endereço eletrônico, para mim, é lixo. Desculpem-me os mais sensíveis, mas é a verdade sobre e-mails indesejados.