quinta-feira, 10 de março de 2016

Resgat-águias

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Fuga selvagem. Sobrevoa altas nuvens, mostre sua coragem. Abre as asas em meio aos ventos e eleva teus anseios. Resgate a sanidade e voe, encontre seu ninho. A passagem do ar puro percorre agora por cada pena e paira sobre ti a paz do Mestre das águias. Resgate-as, regate-se, resgat-águias. Não mais sofra. Não mais chore. Não mais espere. Buscai e encontrarás o recanto da paz animal que vive em você, que vive no outro, que vive nelas: aves selvagens. O céu não é limite, é a esperança ilimitada.

segunda-feira, 7 de março de 2016

Descendência

Nos braços, um ser. Curioso, atento, sorridente e amável. Nascido com saúde, isso é bom. A gargalhada invade o lugar e arranca sorrisos tímidos de quem está por perto. Se o dia não começou bem, se o humor não estava mais para bom, se a vontade de sofrer uma abdução bateu, acabou ali... Na meiga expressão de alegria e satisfação de um bebê. E ninguém se aguenta, é a atração do momento. E quando dormem, todos observam e sentem aquela paz. Quão bom é ninar com eles, mesmo que em pensamento.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Nota do tempo das mensageiras

Com a voz e o comportamento infantis, ela aparentava ter 60 anos, ou mais. Falava alto e a falta de alguns dentes fazia com que as palavras tivessem um leve chiado ao final. Olhando pela janela, notou o rio e os prédios e fez a seguinte observação: “- Se não tirarem os prédios de lá, eles vão cair tudo no rio”. Encantava-se com a quantidade de pessoas, com o sinal de aviso das portas, com o pato nadando no rio poluído e com o menino que não tinha barba no rosto. Perguntou se ele tinha namorada. Com a negação, ela disse: “- Isso mesmo tem de estudar muito, estuda, viu?”. Balançava para frente e para trás. Disse com orgulho que não bebia e nem fumava. Recebeu o elogio de “anjo, é um anjinho” e um afável carinho na cabeça de sua cuidadora. Conversavam o tempo todo, sorriam e trocavam beijos no rosto. Desinibida, o anjo passou a falar com uma passageira, disse que completou 51 anos mês passado e que “teve problema”, apontando para a cabeça. Elas ensinam muito com pouco tempo por perto. Eu não senti a presença de um anjo, mas de dois.  

domingo, 10 de janeiro de 2016

Feliz Stradivarius

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Com excelência de qualidade, poucas são as unidades que emitem som impecável. Obra das mãos de um luthier que esculpe e modela com perfeição. Entre seus feitos estão as melhores madeiras, as melhores cordas, as melhores medidas... Um instrumento para propagar a paz, o amor e eternizar momentos de união. Vibrações de uma harmonia de graça e tranquilidade para ouvidos sedentos de esmero. Raridades são assim. E, em réplicas, compartilha pequenas demonstrações do que se conhece como arte musical. Um Stradivarius não é de se jogar fora, muito menos perdê-lo, ou deixá-lo empoeirado. Sua caixa de ressonância clama por vida própria e sobre suas cordas o arco repousa em uma combinação perfeita da sintonia de dois corpos.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Bola de fogo

Aquece almas.
E chega intensa para despertar,
Para alegrar,
Os dias quentes dessa estação.
Despontam agora em dezembro,
Os chamados dias de verão.

Governa nossos dias,
SOLte os raios de seus incêndios benéficos,
Com explosão de vitaminas em melaninas.
Celebramos esse dia de Sol e outros que virão.

Lamentamos apenas por nossa Luz Estação,
Pelas labaredas em nosso Museu,
Pelas cinzas nossas Da Língua,
Por nossa essência Portuguesa,
Outrora iluminada sem o calor das chamas.

Que as chuvas nos lavem,
Que as lágrimas nos consolem,
Que seu brilho seja, por inteiro, restaurado,
E seus acervos preservados.

Que a Bola de fogo venha apenas purificar,
Clarear nossas vidas com sua luz natural.
Que nossos extintores sejam carregados,
E os incêndios maléficos erradicados.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Vitimização

Expõe-se na vitrine em vão brado de sofrimento efêmero. 
Faz-se de vítima, mas pouco é seu público.
Afirma sentimento que tem como amor, clamando súplicas por sua própria escolha.
Embebido de ironia, máscaras caem e após assumida confusão, exalta consolos alheios dos protagonistas da discórdia.
Em nome de Deus se diz no inferno e lamenta iniciativa de outrem por suas supostas dores.
Demolindo torres de virtude, estilhaçando vitrais de memórias, rompendo pontes de conexão, excede na exposição e se coloca no centro para ser ovacionado pelo cretinismo dos seus

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Cor-Ação

Ainda não é Carnaval
Mas a carne pulsa e pula
Se joga, se enerva
Sangue emana pelas veias
Vivifica o templo sagrado
O órgão pulsante desperta
Espanta, salienta o recinto
Bate pratos e tamborins
Apita agudamente e sacode pandeiros
Ensurdece, emudece e cala
A euforia vai embora
A quietude se renova
Sussurrando traz conforto,
Soma, divide, sonha e cede
Carne que treme, que congela e que aquece
Dos batuques desse pedaço arrebatador
Dessa bombinha que cresceu
Que provoca maravilhas e grandes estragos.