sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Nota do tempo de uma repulsa


Espantou as gentalhas com alguns retalhos.

Afugentou os espiões que curiavam as plantações.

Tirou a hostilidade de perto daquela propriedade.

Mandou a desordem para longe de suas terras,

Evitando, portanto, a manifestação de novas guerras.

Remendado em tecidos coloridos,

Transformou-se em uma pessoa deselegante.

Um homem extremamente necessário,

A figura de um espantalho.




!!!!!!!!!!!!A todos um FELIZ 2012!!!!!!!!!!!!

sábado, 17 de dezembro de 2011

Bicho sórdido*

           Involuntariamente, lágrimas rolaram. Na batida da corda contra o chão, a blusa estilo bata pulava junto com o balanço do seu corpo. Uma brincadeira qualquer no meio da descomplicada rua sem saída. Então veio ele com seu patinete e estragou a alegria das meninas. Passou pelo meio propositalmente só para atrapalhar, achando aquilo engraçado. Ao mesmo tempo em que isso acontecia, um ser volumoso sentou no reservado com as pernas escancaradas, deixando pouco espaço para quem viesse sentar ao seu lado. Mesmo com o assento menor que o habitual, alguém sentou lá. Mas logo chegou uma gestante, a quem foi oferecido o lugar de direito, porém estreito. O verme ao lado nem se mexeu. E muitas manhãs têm o seu início assim: bêbados, desodorizados com spray nauseante, fétidos, porcos sem educação, hálitos podres, axilas ardidas e suadas. Neste final de primavera, o cheiro das flores passa bem longe daquele lugar. Esse bicho asqueroso consegue ser intragável mesmo quando criança, estragando a alegria das meninas.

*Aos homens que se esqueceram do respeito, do sabonete e de todas as maravilhas deste mundo.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Desvirtuada sensação

            Embarcaram no vagão do metrô. Com mochila nas costas, vestiam jeans e calçavam tênis. A mais encorpada vestia uma camiseta folgada. A mais magra vestia uma blusa estilo babylook. Conversavam de pertinho, usavam aliança de compromisso e estavam com os pálidos rostos avermelhados pelo sol que ardia bem acima dos trilhos. Por alguns segundos eram apenas adolescentes comuns, melhores amigas. Mas algo desviou a atenção dos homens daquele vagão quando os lábios das meigas garotas se encontraram. Naquele instante, tornaram-se atrizes de um imperdível filme. Eles as olhavam, pareciam gostar e ao mesmo tempo não acreditar. Pasmados e com receio, às vezes, mudavam de vista. Elas pareciam não se incomodar. A pouca timidez fazia com que se tornassem únicas no ambiente coletivo. Uma cena que, pelo visto, ainda está longe de ser considerada uma virtude. Por enquanto há quem respeite e não aceite, ou quem aceite e respeite, como também quem não respeite e nem aceite.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Nota do tempo de uma gestação

           Nove meses foi o tempo aproximado que Ele definiu para presentear os casais com uma nova vida. E assim, por diversas gerações, almas ímpares nasceram complementando seus novos pares. Amadurecem virtudes regadas de cuidado, carinho e respeito. Suculento fruto que será colhido e saboreado. Há ainda, aqueles que o contam como se quisessem apagar o brilho das estrelas em seus bolsos. Outros que jamais contemplarão diálogos com a Via Láctea. Indiferentes aos invejosos, e gratos aos sábios, fazem de cada vitória a oportunidade de comunhão e de sagração espiritual, seja com presentes simbólicos, seja com o simples voto de amor e amizade. Abençoadas gestações intensificam sonhos de solidificar ainda mais a conquista. Quando Deus permite, a providência é apenas uma sutil e doce consequência da natureza.


Nota do tempo escrita por Johnny Nogueira dos Santos

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Ávida depreciação

          Naquela vida há, nitidamente, um desgosto. Nada agrada e nenhuma causa nobre amolece aquele coração. Até o entretenimento lhe é enfadonho e banal. Ignora a classificação indicativa, valorizando somente o julgamento precoce, não reflete nem para analisar o público-alvo. Expressa opinião no vazio, muitas vezes, sem fundamento, por ser uma vida pouco vivida. E há quem siga e concorde com tais censuras, como se estivessem presos no cabresto. Seguidores que, sozinhos, perdem-se desorientados e não sabem para onde ir, algemados naquele domínio. O mestre? Continua julgando, tornando amargo o que para outros é doce. Colocando uma pitada de rabugice em vidas simpáticas. Envenenando todos ao redor com o que ainda, de fato, não sabe fazer: criticar.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Mar metalizado

            33 graus Celsius. Não ventava, nenhuma nuvem fazia sombra, as fofas branquelas passeavam distantes da bola de fogo. O solo negro correspondia com mais calor e aquela onda se movimentava devagar, muito mais do que deveria e quase sempre parava. A espuma branca se enfurecia com os números elevados do contador, pois o tempo de espera era demorado demais. Algumas ondas eram demasiadamente extensas, o fim delas não se alcançava com os olhos. Não refrescava a vida, nem fazia o vai e vem da maré. Lavou a alma de muitos com inúmeros gases fétidos, deixou o calor ainda mais insuportável. O mar era renovado a cada luz verde, dissipava aos poucos até a luz vermelha interromper o curso das ondas novamente. Em pouco tempo se faziam tantos em número, em cor, em preferência, em estilo e em aparência, que já não mais ganhavam admiração. Porém, duas rodas sob leve estrutura, impulsionada pelos pés e com os cabelos ao vento, poderiam formar uma onda mais atratativa, livre de toda essa saturação.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Nota do tempo de uma grande estima

           Ele apareceu naquela morada há, aproximadamente, um ano. Cheio de medos e melindres. Agachava-se a cada barulho que escutava, parecia muito abalado. Mas com o passar dos meses se adaptou e conquistou a todos os moradores daquele lar. Pequenino e magro ganhou tamanho e corpo. É dengoso, esperto e muito saudável. Sente saudades, reclama quando está incomodado e pede com olhos atentos quando precisa de alguma coisa. Como pode ele parecer tão racional quando está na cadeia dos irracionais?! Claro, aqui há suspeita para falar dele. Porém, hoje é dia de São Francisco de Assis, não que isso signifique a crença nos que já se foram e nem naqueles feitos estátuas, mas em um homem que foi conhecido por seu apreço aos animais e à natureza. Por este motivo, unicamente por este, esta é uma nota de grande estima pelo querido e amado Dilbert*.

*Clique no nome Dilbert para vê-lo.