Ela levou o dedo indicador até o nariz sem cerimônia. Não estava se importando com quem passava. Na porta do restaurante, o comportamento é típico e muito natural para a idade que ela aparentava ter. Totalmente despreocupada com o que iam pensar, achar ou julgar. No mínimo, pensaram “nossa, a mãe dessa garotinha deve ser uma porca”, ledo engano. Quem dentre os humanos já não teve tal atitude? Lembra-se com clareza da infância? É possível que algumas pessoas tenham ‘flashs’ na memória, mas nada concreto.
A igenuidade está no sorriso doce e no meigo olhar. A vida toda se alegra com um doce, um brinquedo, um passeio pelo parque. São até capazes de dizer “Hoje foi o dia mais feliz da minha vida!” e com tão pouco. O pouco para alguns é o muito para elas. E é o “pouco muito” que as fazem felizes, transformam lágrimas em alegria, com uma capacidade extraordinária de perdoar. Apreciável. Quão bom seria se todos os dias o ser humano exercitasse o dom supremo da inocência, sem perder a personalidade e caráter de saber agir no momento correto. Provavelmente, se isso acontecesse e os interesses supérfluos se fizessem sufocados, seria possível entender o que significa a paz mundial.