Quase sempre choronas se desesperam por pequenas coisas, sujeitam-se a cada situação e sem a capacidade de exercerem uma simples opinião respondem um “tanto faz” a qualquer questionamento. Borram-se de medo dos metidos a machões e padecem em silêncio. Amedrontadas se calam diante da própria reputação e escondem suas marcas da vergonha alheia. Exibem traços de meninas indefesas e totalmente dependentes que não são. A realidade é que os covardes agressores dependem mais delas do que elas deles. Cegamente subordinadas, obedecem e não ousam denunciar os maus tratos, seja pelo medo de ameaças, seja pela falsa esperança de que o autor um dia cumpra o que prometeu, de que o ocorrido não irá mais se repetir... Sem fraldas e na miséria, marias mijonas arrastam a vida em sigilo. No secreto de seus rostos sofridos aparentam mais idade do que, de fato, possuem.
terça-feira, 17 de abril de 2012
quarta-feira, 28 de março de 2012
Ermo interior
Caminhei por cima das pedras e feri meus pés. Tive pensamentos ruins e proferi palavras das quais não ouso mencionar aqui. Acenei, mas não me viram. Chamei pessoas pelo nome e nenhuma delas me ouviu. Veio-me o desespero e chorei soluços de muitas impressões fiéis do meu espírito moribundo. Prossegui como se âncoras acorrentassem o resto de vontade que o meu corpo tinha de continuar. Abandonei o barco. Afoguei meus sonhos. Inconsciente, sonhei com a vida que reclamava. O agora me assola tanto quanto mereço pagar por meus murmúrios. Perdi o carisma e afastei de mim os que eu menos queria. Joguei para longe a razão e parti em pedaços o meu próprio coração, sem eira nem beira. Os reflexos da minha mente pouco se fazem nítidos e em mim habita a solidão. Mamãe, você é minha casa!
terça-feira, 6 de março de 2012
Saber tudo é não saber
Isso não é nenhuma descoberta, mas as impressões de uma incongruência do comportamento humano. Não saber tudo é saber que tudo o que se sabe fez você saber tudo o que até hoje precisou saber. Os passeios dos sorrisos pelas ruas, ou mesmo a queda da lua na extensão noturna. Os caminhos dos corações das longínquas relações, ou também a ausência de um vazio que só lhe trouxe frio. Os resquícios do amor que foi transmitido, assim como as flores que desabrocharam colorindo amores e dores em dias especiais. Tantas outras coisas encorpam o saber e desmistificam seu real significado, por isso lhe peço um favor! Quando souber quando o saber esteve tão certo, avise-me para eu procurar não mais sabê-lo.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
Baseado em fatos e fotos reais
Os dias passam pelos olhos como se eles tirassem uma foto de cada momento. Imagens ficam registradas, fixando que o presente jaz no passado. Histórias de alguéns que viraram filmes a partir de alguns relatos da curiosa rotina de um diário pessoal. Histórias de entorpecimentos que começaram pela base, queimaram a essência e consumiram uma visão já turva da vida e do mundo. Caídas na real, trazem cor ao rosto pálido e revigoram o corpo fatigado. A quase morte beira o pó da terra por inalar o pó químico das alegrias momentâneas, das brisas inconstantes, dos centavos perdidos em dívidas inimigas, de muito penar e não encontrar o próprio eu. Sem estabelecer uma autorreflexão, desconhece o significado da palavra amigo e vaga tão só na carência escondida no refletir de sua própria face. Outros da mesma espécie os preconceituam marginais.
sábado, 28 de janeiro de 2012
Sinfonia das águas
Num aperto intencional a armação se abriu e esticou a lona dobrável e impermeável no alta da cabeça. Logo se podia ouvir o som dos pingos com a queda interrompida na tenda que livrava quase todo o corpo da chuva. Rapidamente batiam na superfície e escorriam pela curva chão abaixo. Unidos no solo sem absorção formavam poças a cada desnível da rua e calçada. Os veículos transitavam velozmente e os sulcos dos pneus levantavam jatos de gotículas como uma breve neblina. Os 'splashs', os 'chuás', os 'tecs tecs' e 'shshshshshs' não deram trégua e são impressionantemente músicos destes dias chuvosos. O próximo aperto fez a lona dobrar e escorrer o excesso de água na sacolinha plástica, interrompendo a viagem agradável debaixo da queda das águas.
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
Nota do tempo de uma repulsa
Espantou as gentalhas com alguns retalhos.
Afugentou os espiões que curiavam as plantações.
Tirou a hostilidade de perto daquela propriedade.
Mandou a desordem para longe de suas terras,
Evitando, portanto, a manifestação de novas guerras.
Remendado em tecidos coloridos,
Transformou-se em uma pessoa deselegante.
Um homem extremamente necessário,
A figura de um espantalho.
!!!!!!!!!!!!A todos um FELIZ 2012!!!!!!!!!!!!
sábado, 17 de dezembro de 2011
Bicho sórdido*
Involuntariamente, lágrimas rolaram. Na batida da corda contra o chão, a blusa estilo bata pulava junto com o balanço do seu corpo. Uma brincadeira qualquer no meio da descomplicada rua sem saída. Então veio ele com seu patinete e estragou a alegria das meninas. Passou pelo meio propositalmente só para atrapalhar, achando aquilo engraçado. Ao mesmo tempo em que isso acontecia, um ser volumoso sentou no reservado com as pernas escancaradas, deixando pouco espaço para quem viesse sentar ao seu lado. Mesmo com o assento menor que o habitual, alguém sentou lá. Mas logo chegou uma gestante, a quem foi oferecido o lugar de direito, porém estreito. O verme ao lado nem se mexeu. E muitas manhãs têm o seu início assim: bêbados, desodorizados com spray nauseante, fétidos, porcos sem educação, hálitos podres, axilas ardidas e suadas. Neste final de primavera, o cheiro das flores passa bem longe daquele lugar. Esse bicho asqueroso consegue ser intragável mesmo quando criança, estragando a alegria das meninas.
*Aos homens que se esqueceram do respeito, do sabonete e de todas as maravilhas deste mundo.
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